terça-feira, 19 de janeiro de 2016
O que pode acontecer quando você pede um café e te trazem agua tônica e um doce ?
Em um fim de tarde, vindo do trabalho para minha casa, encontrei próximo ao metrô uma cafeteria, que eu conheço de passagem, sem nunca ter entrado. Parei em frente, a atendente cumprimentou-me. Enquanto sentei a pequena distância do balcão, postou-se ao lado de mim, anotou o pedido, e saiu para trazer meu café.
Quando retornou, trouxe dentro da bandeja uma pequena taça com água tônica, uma xícara com café e um doce. A verdade é que eu só vim para tomar o café da tarde, pela primeira vez não soube o que fazer, para com esse gesto, esse costume da casa. Mais por vergonha de demonstrar em não saber, comecei a engolir desajeitado, rápido, porque precisava sair depressa, não tanto, por causa de minha obtusidade, mas por não conseguir reagir de maneira natural a surpresa daquela mudança de rotina.
Quem tem boca vai a Roma, e boca no meu caso é insistência em obter resposta da pessoa certa. Decidir voltar no mesmo estabelecimento e solicitar outro café, antes porem, perguntar o modo correto de digerir a bebida, não aguentava mais a ansiedade de saber logo essa verdade através da atendente, para eu, a pessoa certa que podia socorrer-me.
A atendente séria, fitou em mim os olhos, convidou-me a esperar. Quando voltou com a bandeja eu ainda estava tentando adivinhar o que ela ia agora dizer. Esta, agora risonha, foi logo dizendo que eu primeiro teria que beber a água tônica para limpar as papilas gustativas e assim apreciar melhor o sabor do café, o doce era apenas um agrado, um extra, poderia ser comido antes. Compõe apenas o visual de apresentação, mas não tem relevância na degustação do café.
Comecei mal e acabar bem era gratificante.
A Flauta Doce é Divina
Minha simpatia e admiração pela flauta doce vem de muito tempo, desde criança. Naquela época eu apenas observava e ficava admirado com o que algo tão simples podia fazer com relação a música. As possibilidades eram imensas e me impressionava. Então passei a gostar demais da flauta doce. Minha tristeza é que apesar dela ser o instrumento musical mais antigo do mundo e de ter vivido períodos de gloria em que até os Reis a tocavam, neste século XXI ela ainda está sendo rodeada de preconceito. Preconceito esse alardeado por quem não sabe tocar e por quem toca mal.
O exemplo mais simples é quando alguém te pergunta se você toca algum instrumento e sua resposta imediata for a flauta doce. Quando isso acontece você apenas ver cabeça virando, olhos fixando o infinito e boca se contorcendo não deixando dúvida que se tratam de sinais claros de desdém.
E para agravar ainda temos os modelos de baixo custo que não passam de brinquedos desafinados e são viralizados e distribuídos em escolas ou igrejas que tenham cursos de iniciação musical. Juntando isso a muitos professores de escola pública que não entendem nada de música e que preencheram as vagas de trabalho através de canudo o resultado é catastrófico. E a soma são alunos desmotivados que nunca vão aprender a tocar bem, assim como seus professores mas saem por aí dizendo com muita seriedade que aprenderam tudo.
E neste pandemônio todo mundo toca mal, daí a flauta doce fica insuportável traumatizando legiões. Mas quando conhecemos o outro lado, de bons professores e instrumentos de qualidade e ouvimos uma flauta doce sendo bem tocada, de fato descobrimos que ela é celestial. Eu nunca me canso de ouvir o Conserto per flautino Alegro molto de Antonio Vivaldi neste instrumento original, é para flauta doce, e é divino.
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